Diga que valeu!

Somos seres sociais. Como tais, a comunicação é algo imprescindível à nossa existência. Se a comunicação é imprescindível, é porque permite algo também fundamental  para a vida em sociedade. Ela permite o relacionamento.

O ser humano se relaciona a todo instante. Relacionar-se é algo tão amplo que possui inúmeros significados na língua portuguesa. Concatenar, conectar, ligar, conhecer, conviver, dar-se, familiarizar-se são apenas alguns destes sinônimos. Algo tão vasto, comum e fundamental deveria ser algo simples, já que nos relacionamos a todo instante. Mas nem sempre o é.

Os relacionamentos estão na escola, na família, no trabalho.  E, como tudo na vida,  eles são cíclicos. Possuem começo e fim. O show businesses é um bom exemplo disso. Grupos famosos tem que lidar com a saída de seus integrantes, que buscam carreira solo. O mundo viu The Beatles se separarem, o Sting deixar o The Police para cantar sozinho. Em termos de Brasil, vimos a Banda Eva seguir sem a Ivete, que, por sua vez, fez ainda mais fama com a carreira solo. Claudia Leite, ex-vocalista do grupo Babado Novo, deixou o grupo para se tornar uma das cantoras mais bem sucedidas do país.  Agora é a vez do Chiclete com Banana encerrar um ciclo.

Chiclete, um dos grupos mais famosos do país, surgiu no início dos anos 80. Em mais de 30 anos de carreira, são milhões de discos vendidos e milhares de micaretas e shows. Em setembro, Bell Marques, vocalista do grupo, anunciou a saída do grupo. A banda continuará a existir com um novo vocalista e Bell seguirá carreira solo. A notícia pegou Chicleteiros, como são chamados os fãs do grupo, e o setor da música nacional de surpresa.

Quando se vê um relacionamento de 30 anos terminar, é comum se pensar o porquê de não ter dado certo. Mas como alguém pode dizer que não deu certo algo que durou 30 anos? É claro que deu certo! Por mais de três décadas, o grupo seguiu junto. Uma fama construída com base em um talento conjunto. Mas, não há como negar que uma tarefa executada em conjunto traz a dificuldade inata de conciliar a individualidade de cada um que forma aquele todo. Essas dificuldades existem em qualquer relação.

O Chiclete é um grupo e, portanto, também uma empresa. Mas se é necessário um bom ajuste entre razão e emoção para levar adiante um empreendimento conjunto, imagine o quanto isto é importante quando a relação implica também em uma relação familiar, com o caso do Chiclete. Afinal, vários integrantes são irmãos.

Fins e inícios fazem parte do cotidiano. Nada é eterno. Namoros e casamento começam e terminam todos os dias. Com sociedades empresariais acontece o mesmo. Alguns términos, são bastante vantajosos. Algumas empresas familiares, por exemplo, não duram 2 anos. Outras, como a FIAT, permanecem sob o controle da mesma família desde sua fundação. Não há uma fórmula para isso. Sociedades, sejam afetivas ou profissionais, são feitas por relações humanas e estas não podem ser calculadas. 

A vida é cheia de ciclos. Depois que um ciclo se encerra, outro se inicia. A melhor alternativa é, portanto, recomeçar. Bill Gates, por exemplo, deixou de ser funcionário de Steve Jobs para montar sua própria empresa. Assim, se fim e começo são inevitáveis, o que importa é o que aconteceu nesse meio tempo entre o início e o fim de cada relação. No caso do Chiclete, o meio tempo foi longo e, portanto, suficiente para dizer que muita coisa aconteceu. E se durou tanto tempo, é porque, no pesar da balança, o saldo foi positivo.  

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