O Revolucionário

As grandes revoluções e os revolucionários mudaram o mundo. Não precisa ser nenhum especialista em história para saber disso. Quando pensamos em grandes revoluções, pensamos na industrial, na francesa, na russa, na inglesa, na chinesa. Quando pensamos em mártires, pensamos em Joana D’arc, em Mahatma Gandhi, Nelson Mandela, aiatolá Khomeini, Martin Luther King e tantos outros. Alguns promoveram revoltas armadas. Outros nunca as empunharam. Mas se revolucionário é aquele que muda a história por um ideal, o maior dos revolucionários nem sempre é lembrado pela história como tal. Não se armou, a não ser de gestos e palavras. É por isso que nada se compara a Cristo e sua revolução!

É domingo de Páscoa. Dia que os cristãos celebram a ressurreição de Cristo. Mas a importância de Cristo não se resume ao âmbito do religioso. Ela vai além. Se cada revolução teve seu mártir, o que dizer então de Jesus Cristo? Em um período histórico em que mulheres eram submissas e desrespeitadas, em que adúlteras eram apedrejadas até a morte, em que doentes eram alijados do convívio social, em que ricos e pobres não se misturavam, Cristo surgiu com posturas que revolucionaram o modo de pensar e agir da humanidade.

Os ensinamentos de Cristo se contrapunham ao que pregavam na época de sua existência. Eram claras as contradições aos princípios religiosos então vigentes. Um messias vindo de uma família operária. Sem receio de ser segregado, aproximava-se de pecadores e de leprosos. Talvez porque soubesse que a pior ferida não é a exposta na carne, mas aquela que está impregnada na alma. Por atitudes tão inesperadas, muitos duvidavam se Jesus era mesmo o Messias. Não se anunciava como o mais purificado dos homens, mesmo sendo o próprio Deus Homem. Ao contrário, apesar de ser o Messias e conhecer as leis, relacionava-se com os publicanos e cobradores de impostos.

Em um contexto em que não se tocava em leproso, Jesus se permitiu amar os homens, curá-los, libertá-los, ressuscitá-los. Há uma série de milagres descritos na Bíblia. Mas um dos mais belos milagres é o de dar ao homem a oportunidade se arrepender de seus pecados. Não uma remição banal ou material. Uma remição de alma pelo simples fato de alimentar o espírito.

Ao se analisar os preceitos de Cristo, fica clara a importância de seus ensinamentos para o conceito de bom e de justo que se tem hoje. É por isso que não há como negar a importância de Cristo para a humanidade. E quando se fala em humanidade, fala-se do modo mais geral possível. Basta olhar a religiosidade dos povos mundo afora.

Por mais que muitos creiam que revolucionários só são aqueles que, com violência, conseguem mudar uma realidade ou, mesmo sem violência, conseguem mudar uma forma de poder, Cristo veio mostrar que há revoluções que podem ser infinitamente mais profundas, por alcançarem algo ainda mais essencial: as virtudes humanas.

Ao olhar o leproso, Cristo não via só suas feridas. Via ali só um ser humano com defeitos e virtudes. Se permitia ser visto na companhia de Madalena, porque não a via só como uma prostituta, mas a enxergava como um ser humano sofrido, que tinha o direito de se arrepender de seus erros. E ao ver assim a humanidade, pode ensinar aos homens, um modo mais terno e justo de ver o semelhante. Assim, alguém tão simples, com uma capacidade de revolucionar o conceito de amor e respeito ao próximo, mesmo dois mil anos depois de sua existência, é ou não umrevolucionário? Feliz Páscoa!

 

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