Por mais energia

O mercado se encontra cada vez mais competitivo no ramo dos serviços, com empresas cada vez mais especializadas.  Poder contar com várias empresas prestando o mesmo serviço é uma imensa vantagem para qualquer consumidor. Nada melhor do que a possibilidade de escolha. Afinal, a falta de opção deixa qualquer consumidor refém de um serviço, mesmo quando ele é mal ofertado. É por isso que tanto se combatem os monopólios. Detectar um é algo muito fácil. Basta que se responda uma pergunta: há direito de escolha quanto a quem presta o serviço? Se a resposta for negativa, não resta dúvida.

Em um mundo onde a concorrência trouxe vantagens à prestação de serviços, alguns setores insistem em seguir em direção oposta. O resultado é uma prestação de serviços incipiente, com preço absurdo e cheia de falhas. Exemplo melhor do que o da Rede Celpa não há.

Poucos setores têm a qualidade do serviço tão questionável quanto a do setor de energia.Os consumidoresse sentem lesados por alguns tipos de serviços ofertados, mas, no Pará, o primeiro lugar possui estado de inércia. Em um ranking de dez colocações, incluindo cartões de crédito, telefonia e planos de saúde, etc., a concessionária de distribuição de energia, Rede Celpa, é primeiro lugar.Em três meses, quase 1000 reclamações contra a Rede Celpa. Nada mais justo que reclamar!

Os problemas decorrentes da má qualidade do serviço prestado são muitos. Cobrança indevida, abusiva, dúvidas sobre cobranças, reajuste, recusa injustificada em prestar serviço, má qualidade no atendimento e, como se não bastasse, um custo indireto para quem necessita de energia de qualidade para trabalhar.

Quem trabalha com shows, por exemplo, tem um custo indiretoque seria evitado se a energia fosse de qualidade. Para um show com público considerável, é necessário equipamentos potentes. O empresário, por sua vez, não quer por em risco nem a apresentação e nem os equipamentos, que custam caro. Assim, são muitos os empresários que exigem gerador, por saberem dos riscos que correm ao confiar na energia fornecida pela Rede Celpa.

Não há como se manter indiferente a uma empresa com geração de serviços tão deficitária. O Ministério Público já ajuizou Ação Civil pública contra a Rede Celpa devido às constantes interrupções de energia, que causam transtornos, danos e prejuízos à população.Se o MP tem sido atuante, a mesma coisa não se pode dizer da ANEEL. A agencia reguladora negligencia sua função de órgão fiscalizador. A ANEEL exige que metas sejam cumpridas, mas a Rede Celpa segue ignorando-as. Numa total inversão do princípio da hipossuficiência, quem acaba protegida é a empresa que lesa o cidadão, não o consumidor lesado.

Mais que obrigação de cobrar um serviço de qualidade, temos o direito de fazê-lo. A Celpa é uma concessionária pública. O serviço que ela presta é essencial para a vida moderna. Não é à toa que o fornecimento é uma previsão constitucional. Não é justo que tenhamos aparelhos elétricos queimados pela constante interrupção de energia. Não é justo que tenhamos que pagar um valor indevido e exorbitante de uma fatura, para só então questioná-la, com receio de que a energia seja cortada.

Para justificar a má administração, não raro vemos o discurso de que a má qualidade do fornecimento de energia não é um infortúnio só nosso. De fato, não é, mas a desgraça alheia nunca foi alento para um descontentamento próprio. Ao contrário, só faz ver a necessidade de uma revisão da política de energia em nível nacional. Mas, no caso do Pará, a insatisfação se torna maior. A má qualidade do fornecimento de energia estadual não pode encontrar amparo na má qualidade do fornecimento nacional. É inadmissível que o estado com maior potencial hidrelétrico do paíssofra com falta de energia. Seja nas grandes cidades, como Belém, Santarém ou Marabá, ou em uma cidade pequena, como Uruará, a insatisfação é uníssona.

Boa prestação de energia é mais que obrigação da Celpa. É direito constitucional. Devemos tornar válido este direito, literalmente, à luz da lei. É preciso maior oferta. É preciso poder optar. Em Nova York, por exemplo, o cidadão tem o direito de escolher de qual empresa fornecedora de energia ele será cliente. No Brasil, a privatização da telefonia possibilitou concorrência que, por sua vez, permitiu ao povo o direito de escolha. As vantagens são inegáveis. Já é hora de termos as mesmas vantagens quando se tratar de energia.

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